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Claudio Fontana interpreta o solo ‘A Raiz’, texto inédito de Newton Moreno, sob direção de Elias Andreato

Foto do escritor: Levada Cultural
Levada Cultural
há 22 minutos
7 min de leitura

Solo narra a história de um menino que busca viver sua identidade, apesar de todas as dificuldades. A estreia acontece dia 24 de outubro no Teatro Sérgio Cardoso




Em resposta ao fato de que o Brasil lidera há 18 anos consecutivos o ranking global de assassinatos de pessoas trans e travestis (segundo a ANTRA), e continua sendo um dos países com mais registros violentos contra a população LGBTQIAPN+ (monitorado pelo Grupo Gay da Bahia - GGB), o premiado autor Newton Moreno, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira atual, usa seu olhar cheio de poesia e delicadeza para discutir o choque entre o preconceito crescente em uma sociedade cada vez mais conservadora e a busca pela identidade.


Protagonizado por Cláudio Fontana e dirigido por Elias Andreato, o espetáculo tem sua temporada de estreia no Teatro Sérgio Cardoso, de 24 de outubro a 29 de novembro, com sessões aos sábados e domingos, às 18h30.

A peça conta a vida de uma pessoa transgênero, e todo o caminho que ela percorre até a descoberta de sua identidade, do amor e da aceitação ou não pela família e sociedade.


Segundo o autor Newton Moreno, A Raiz teve como inspiração um povo andino, no qual só as mulheres cuidavam do plantio. “De imediato esta conexão feminina me encantou, pelo que tem de empoderamento e poesia. Daí, claro, retornei ao mundo LGBTQIAPN+ e ao protagonismo do feminino, e teci uma fábula sobre afirmação, reconhecimento, pertencimento, através de um personagem que aprende a escutar sua essência, sua natureza, sua raiz. Então, vence qualquer impedimento social para exercer sua identidade plena, tema que considero relevante em tempos de revisão histórica. Quis construir uma história, que ainda que venha atravessada de violências, seja afirmativa, solar, para nos dar força, futuro, saídas”, revela.


Para o diretor Elias Andreato, “a peça é uma fábula sobre aquilo que nasce quando alguém ousa ser quem é, porque há verdades que a terra não enterra. O texto fala sobre identidade, intolerância e resistência, tendo a terra como memória, corpo e lugar de renascimento”, diz.


Já Claudio Fontana completa: “O conto fala da força da natureza que é maior que o preconceito e intolerância dos homens. Eis o recado da raiz: toda forma de amor precisa ser aceita”.


A parceria

A parceria entre Elias Andreato e Claudio Fontana é longínqua (10 espetáculos), ambos já trabalharam juntos em Adivinhe Quem Vem Para Rezar, Mãe é Karma, Um Réquiem para Antônio, Esperando Godot, Édipo Rei, Amigas Pero No Mucho, Estado de Sítio, Andaime, A Última Sessão de Freud e Primeiro Hamlet.


Sobre Newton Moreno

Nascido em Recife, Newton Moreno se formou bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp (com o  espetáculo Primeiras Estórias, adaptado e dirigido por João das Neves, em  1995). Também é mestre e doutor em Artes Cênicas pela USP.

É autor de “Dentro” (que participou da Mostra de Dramaturgia Contemporânea  do SESI em 2002) e “A Cicatriz é a Flor”; dois textos que juntos compõem a  primeira etapa do Projeto Body Art; e “Agreste” montado pela Cia Razões Inversas em São Paulo. Por este trabalho ganhou o Prêmio Shell e o Prêmio APCA  (Associação Paulista dos Crı́ticos de Artes) de melhor autor em 2004.


Recebeu Bolsa Vitae de Artes em 2003 para realizar livre adaptação teatral  do livro “Assombrações do Recife Velho” de Gilberto Freyre, espetáculo  montado em 2005 em São Paulo e indicado ao Prêmio Shell de Teatro de Melhor Direção.

“Memória da Cana” (2009) recebeu Prêmio Shell e da Cooperativa Paulista de  Teatro de Melhor Direção. Escreveu “As Centenárias”, dirigido por Aderbal Freire Filho, que recebeu  prêmio Contigo! e Shell de Teatro no Rio de Janeiro em 2008.


É autor também de “Maria do Caritó', “O Livro”, “Jacinta”, “O Grande Circo  Místico” em parceria com Alessandro Toller,e mais recentemente “As  Cangaceiras, Guerreiras do Sertão”, ganhadora do Prêmio APCA de Melhor  Texto.


Lançou seu primeiro livro de contos “Ópera”, que foi adaptado para o palco  pelo Coletivo Angu de Teatro; e prepara o lançamento de seu segundo livro  “Cidades Sensíveis”. Roteirista dos filmes “Maria do Caritó” (2019) e “Agreste”. Na Rede Globo, desenvolveu alguns trabalhos, foi colaborador do seriado “A Grande Família” e criador da série “AMorteAmo”.


Sobre Claudio Fontana

Com diversos espetáculos pontuando sua carreira, Claudio Fontana graduou-se em Economia e Administração de Empresas pela FEA-USP, mas seu ímpeto pelas artes cênicas falou mais alto. Iniciou sua carreira como ator no grupo de Teatro Amador do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, em 1984, sob a direção de Silnei Siqueira.

Nos palcos, encontrou sua realização profissional encenando diversos espetáculos, entre os quais: Vem Buscar-me que Ainda sou Teu, de C.  Soffredini; A Guerra Santa, de Luís Alberto Abreu; Mary Stuart, de Friedrich Schiller; Pérola, de Mauro Rasi; Camila Baker, comédia musical de Emílio Boechat; Feliz Ano Velho, de Alcides Nogueira; Pólvora e Poesia, também de Alcides Nogueira, Adivinhe Quem Vem Para Rezar, de Dib Carneiro Neto, ao lado de Paulo Autran. Em 1991, foi  contemplado com o prêmio APETESP de Ator Revelação, por Vem Buscar-me que Ainda sou Teu. Também destacou-se em Calígula  (2010), Macbeth (2011), Esperando Godot (2016), Boca de Ouro (2017), Estado de Sítio (2018) e A Última Sessão de Freud (2022 e  2023).


Sua experiência na televisão inclui a apresentação e locução do Globo Ecologia. A partir de 1992, começa a atuar em novelas e minisséries como: Deus nos Acuda, de Sílvio de Abreu, TV Globo; Fera Ferida, de Aguinaldo Silva, TV Globo; As Pupilas do Sr. Reitor, SBT; A Pequena Travessa, SBT; Um Só Coração, de Maria Adelaide Amaral e A. Nogueira, América, de Glória Perez, Ciranda de Pedra e I love Paraisópolis, TV Globo, além da série “Confissões Médicas”, na Discovery Channel; No cinema, protagonizou Zico, o Filme, de Elizeu Ewald, e I  Hate SP, de Dardo Toledo Barros. 


Sobre Elias Andreato

Elias Andreato é um dos principais atores e diretores do teatro brasileiro. Seus trabalhos mais importantes em teatro como ator foram:


Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki,  direção Renato Borghi; Diário de um Louco, de Nikolai Gogol, direção Marcio Aurélio; Lua de Cetim, de Alcides Nogueira, direção de Marcio Aurélio; Édipo Rei, de Sófocles, direção Marcio Aurélio; Senhorita Júlia, de August Strindberg, direção de Renato Borghi; Artaud O Espírito do Teatro, de José Rubens Siqueira e Antonin  Artaud, direção Francisco Medeiros; Escola de Mulheres, de  Molière, direção de Roberto Lage; Lago 21, de Anton Tchekov e  Shakespeare, direção de Jorge Takla; Sexo dos Anjos, de Flávio de  Souza; Van Gogh (Fragmentos da Vida e Obra  de Van Gogh), com roteiro de Elias Andreato e direção de Marcia Abujamra; Rèpétition, de Flávio de Souza; Gaivota, de  Anton Tchekov, direção Jorge Takla; Oscar Wilde (Fragmentos da  Vida e Obra de Oscar Wilde), com roteiro Elias Andreato e direção Vivien Backup; As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, direção Márcia  Abujamra; Artaud - Atleta do Coração, de Antonin Artaud, direção Márcia Abujamra; A Cabeça, de Alcides Nogueira, direção de Márcia Abujamra; e Um Réquim para Antonio, com direção Gabriel Villela.


Como diretor, realizou os principais trabalhos: Não Tenha Medo de Virgínia Woolf (fragmentos da obra e vida de  Virginia Woolf); com roteiro de Elias Andreato e Ester Góes; Futilidades Públicas, solo de Patrícia Gaspar; Levadas da Breca, criação  coletiva com Mira Haar e Patrícia Gaspar; Arte Oculta, de Cristina  Mutarelli, com Carlos Moreno e Cristina Mutarelli; Ifigênia em  Áulis (adaptação de Celso Frateschi da tragédia grega de Sófocles), com Celso Frateschi e Edith Siqueira; Visitando o Sr. Green, de Jeff  Baron, com Paulo Autran e Cássio Scapin; 3 Versões da Vida de Yasmina Reza, com Denise Fraga, Marco Ricca, Mario Schoemberger e Ilana Kaplan; O Rim, de Patrícia Melo, com Carolina Ferraz, Marcelo Serrado, Heitor Martinez e Ivone Hoffman; Adivinhe Quem Vem para Rezar, de Dib Carneiro, com Paulo Autran e Cláudio Fontana; Operação Abafa, de Jandira Martini e Marcos Caruso, com Miguel Magno, Jandira Martini, Marcos Caruso, Tânia Bondezan, Noemi Marinho, Francarlos Reis e Diego Leiva.


Principais prêmios recebidos:

SHELL - APCA - APETESP por Sexo dos Anjos e indicação para o  prêmio MOLIÈRE. Solo Mio, indicação para o prêmio SHELL; Van Gogh, prêmio SHELL e APETESP de melhor ator, Em RÈPÈTITION indicado para o prêmio MAMBEMBE de melhor ator.

 

Ficha Técnica

Dramaturgia: Newton Moreno

Direção: Elias Andreato

Atuação: Claudio Fontana

Figurino: Gabriel Villela 

Cenografia e Trilha Sonora: Elias Andreato

Iluminação: Cleber Eli

Assistência de Direção: Nilton Bicudo

Operador de Luz: Pedro Moura

Operador de Som: William Siqueira

Técnico de palco: Danilo Queiroz

Assistência de Palco: Azre Azevedo

Comunicação Digital: Nanda Rovere

Programação Gráfica e Fotografia: Renata Monteiro

Produção Executiva: Augusto Vieira

Direção de produção: Claudio Fontana

 

Sinopse

A Raiz é um monólogo onde a personagem única é um narrador que conta a estória de um menino andrógino, a descoberta de sua sexualidade, do amor e do preconceito da sociedade. Um conto repleto de poesia e delicadeza escrito por Newton Moreno, um dos mais premiados dramaturgos nacionais, narrado pelo ator Claudio Fontana e dirigido por Elias Andreato.


Serviço


A Raiz, de Newton Moreno

Temporada: 24 de outubro a 29 de novembro de 2026

Aos sábados e domingos, às 18h30

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno - Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo – SP, 01326-010

Ingressos: R$50 (inteira) e R$25 (meia-entrada)

Bilheteria: do Teatro Sergio Cardoso, aberta nos dias de espetáculo, das 14h até o início da atração. Contato bilheteria: (11) 3288-0136

Vendas online: via Sympla

Duração: 60 minutos

Classificação: 12 anos

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Visitas guiadas ao palco e tateamento da cenografia e figurinos para pessoas com deficiência visual.


Sobre o Teatro Sérgio Cardoso

Localizado no boêmio bairro paulistano do Bixiga, o Teatro Sérgio Cardoso mantém a tradição e a relevância conquistada em 45 anos de atuação na capital paulista. Palco de espetáculos musicais, dança e peças de teatro, o equipamento é um dos últimos grandes teatros de rua da capital.


Composto por duas salas de espetáculo, quatro dedicadas a ensaios, além de uma sala de captação e transmissão, o Teatro tem capacidade para abrigar 827 pessoas na sala Nydia Licia, 149 na sala Paschoal Carlos Magno, além de apresentações de dança no hall do teatro.


Sobre a Amigos da Arte

A Associação Paulista dos Amigos da Arte é uma Organização Social de Cultura que trabalha em parceria com o Governo do Estado de São Paulo desde 2004.  Música, literatura, dança, teatro, circo e atividades de artes integradas fazem parte da atuação da Amigos da Arte, que tem como objetivo fomentar a produção cultural por meio de festivais, programas continuados e da gestão de equipamentos culturais públicos. Em mais de 20 anos de atuação, a Organização desenvolveu cerca de 70 mil ações que impactaram mais de 30 milhões de pessoas.

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