Um ano após a morte da escritora Marina Colasanti, Como Todos os Atos Humanos ganha temporada no Sesc Pinheiros a partir de 22 de janeiro
- Levada Cultural

- 8 de jan.
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Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman e direção de Rui Ricardo Diaz, o espetáculo tem a autora Marina Colasanti, reconhecida por sua escrita poética e crítica, como referência central na construção dramatúrgica do espetáculo.
Após uma temporada de sucesso no no Rio de Janeiro, Como Todos os Atos Humanos, da Cia. do Sopro, retorna para uma nova temporada na capital paulista. O espetáculo fica em cartaz no Auditório do Sesc Pinheiros, de 22 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026, com apresentações de quinta a sábado, às 20h30 no dia 06 de fevereiro, além da sessão das 20h30, haverá uma sessão às 16h00.
Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman (Cleo na primeira temporada de Impuros) e direção de Rui Ricardo Diaz (entre outros trabalhos está no elenco do novo filme Anaconda - produzido pela Columbia Pictures e é um dos protagonistas da série Impuros), o trabalho tem como ponto de partida obras de Marina Colasanti, Giorgio Manganelli e Nelson Coelho, e se configura num universo único, atravessado pelo realismo fantástico. A montagem dialoga ainda com referências visuais de artistas como Francis Bacon e Edvard Munch, explorando a deformação e a potência expressiva da figura humana.
A temporada acontece em janeiro, mês em que se completa um ano da morte de Marina Colasanti, uma das mais importantes escritoras da literatura brasileira contemporânea. Reconhecida por sua escrita poética e crítica, profundamente ligada às questões de gênero, a autora é referência central na construção dramatúrgica do espetáculo.
Na encenação, um gesto extremo — um parricídio metafórico, simbolizado por “furar o olho do pai” — surge como ato de ruptura e insubmissão. A narrativa estabelece um diálogo invertido com o mito de Electra e expõe, por meio de imagens arquetípicas, mecanismos de vigilância, dominação e silenciamento impostos ao corpo e ao destino das mulheres.
O espetáculo integra o trabalho continuado da Cia. do Sopro, que fundamenta seus processos no Laboratório Dramático do Ator, a partir da pesquisa desenvolvida há mais de três décadas por Antonio Januzelli, referência na investigação do intérprete criador e preparador do trabalho.
Repercussão crítica
A crítica especializada destaca a força da atuação solo e a densidade simbólica da encenação:
“Fani, no palco, é uma festa: transmuda-se para outra região da alma onde tudo é
possível; pratica metamorfoses vertiginosas; insurge-se contra o destino e
consegue (ao longo de todo o espetáculo) valer-se como mulher, como artista,
como ser humano.” Teatro Hoje RJ, por Furio Lonza
“Um espetáculo imperdível que acredita na magia do teatro para que a Humanidade
suba um patamar rumo à redenção social e artística. A Cia. Do Sopro faz jus a seu
nome, que é até modesto: é mais que um sopro, é uma lufada de ar fresco que
oxigena os palcos brasileiros.” Teatro Hoje RJ, por Furio Lonza
“Em cena, atestamos a segurança de uma atriz em pleno domínio de seu corpo e voz, atravessada por toda uma riqueza fabular dos autores dos quais essa voz e esse corpo se deixaram cercar”.
Em texto publicado no Caderno de Críticas do CCBB-SP, por Welington Andrade
Em Crítica da Folha de S.Paulo, por Caio Liudvik, observa que o monólogo aborda situações extremas de violência e terror sem recorrer a clichês psicológicos, construindo uma cena de forte impacto sensorial e clareza conceitual.
Em tempos de altos índices de feminicídio, Como Todos os Atos Humanos, reafirma sua atualidade e potência, convidando o público a refletir sobre um ato metafórico, que sugere o aniquilamento arquetípico do patriarcado e um extermínio catártico de toda vigilância que a redoma masculina impõe sobre o corpo e o destino da mulher.
Ficha Técnica
Dramaturgia e atuação: Fani Feldman
Direção: Rui Ricardo Diaz
Assistência de direção: Plínio Meirelles
Preparação: Antonio Januzelli
Iluminação: Osvaldo Gazotti
Cenário e figurino: Daniel Infantini
Idealização: Cia. do Sopro
Produção: Quincas
Direção de produção: Fani Feldman
Produção Executiva: Andrea Melo Marques
Fotos: Agueda Amaral e Yukio Yamashita
Sinopse
Como Todos os Atos Humanos investiga a naturalização da violência e a perpetuação histórica das estruturas patriarcais. Em uma inversão do mito de Electra, o espetáculo constrói uma narrativa sombria sobre uma filha inexistente que, simultaneamente fascinada e subjugada pela figura paterna, rompe o ciclo de dominação ao exterminá-lo, furando seus olhos com um estilete. Esse “parricídio ocular” de forte carga simbólica — instaura em cena o aniquilamento arquetípico do patriarcado e da vigilância que a ordem masculina impõe ao corpo e ao destino da mulher.



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