Vencedor do Coelho de Prata de melhor espetáculo no 33º Festival Mix Brasil, Aqui, Agora, Todo Mundo estreia no Teatro Sérgio Cardoso em janeiro de 2026
- Levada Cultural

- 3 de fev.
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Embalado pelas canções de Jaloo, primeiro solo de Felipe Barros é inspirado no livro de mesmo nome, e propõe reflexão sobre saúde mental, identidade e pertencimento
"E se a sua mente fosse um quebra-cabeça que só os outros conseguem montar?" (trecho da peça).
Um homem gay tenta reconstruir a própria história depois de atravessar o limite da existência em Aqui, Agora, Todo Mundo, o primeiro solo teatral de Felipe Barros, que venceu o prêmio Coelho de Prata de melhor espetáculo no 33º Festival Mix Brasil. O trabalho, dirigido por Heitor Garcia, tem sua temporada de estreia no Teatro Sérgio Cardoso, de 24 de janeiro a 1º de março de 2026, com sessões aos sábados, domingos e segundas, às 19h.
Entre o real e o imaginário, entre o trauma e a reinvenção, o personagem convida o público a entrar em sua cabeça, um território instável, íntimo e poético, onde cada cena é um fragmento de memória, um eco de vivência. o espetáculo aborda os caminhos do entendimento da depressão que acompanha a vida do personagem por anos. As lembranças surgem como flashes: a família, os amores, as dores escondidas, os silêncios que moldam quem somos.
O público assume um papel ativo, guiando a ordem dos acontecimentos e provocando revelações inesperadas. O espetáculo se transforma a cada sessão, fazendo da experiência algo único e irrepetível. Nada é linear. Nada é óbvio.
Aqui, agora, todo mundo é também um chamado coletivo, uma evocação à presença, à escuta e ao pertencimento. A peça não fala apenas sobre saúde mental, mas sobre sobrevivência emocional em uma sociedade que ainda marginaliza corpos dissidentes, especialmente os da comunidade LGBTQIAPN+. O texto atravessa temas como a autoimagem, uma adolescência gay, a pressão da performance social e a busca por afeto em meio ao caos.
É um grito mudo e uma dança urgente. É um convite à escuta de um corpo que resiste, mesmo quando tudo dentro dele parece querer desaparecer.
Ao som de Jaloo
Elementos teatrais servem para contribuir com o entendimento da história. A Jaloo possui um pensamento muito eloquente sobre saúde mental, e isso está profundamente ilustrado em sua obra, especialmente na perspectiva da influência externa, que também abordamos no espetáculo.
Durante o processo de descoberta da imagem sonora que o espetáculo teria, fomos explorando o universo musical da Jaloo, suas histórias e referências, e, a cada nova escuta, a música trazia um colorido especial à nossa narrativa. As letras pareciam dialogar com as memórias da personagem.
Nesse processo, a DJ Agatha teve um papel fundamental: foi ela quem realizou toda a decupagem da obra da Jaloo, selecionando os melhores trechos e propondo a transformação de música como trilha sonora da peça. Seu trabalho de curadoria e de desenho de som permitiu que cada música conversasse com cada cena, criando um elo sensível entre as emoções da personagem e o ritmo da narrativa. A partir dessa construção sonora, os elementos musicais se tornaram um fio condutor capaz de sustentar e potencializar o entendimento dessa encenação fragmentada.
Jaloo, nome artístico de Jade de Souza Melo, é uma cantora, produtora e DJ brasileira, expoente do pop, indie e eletrônico paraense, conhecida por sua fusão de ritmos regionais com batidas eletrônicas e visuais marcantes, celebrando sua identidade não-binária e de gênero fluido, usando pronomes femininos e explorando temas de transição e autoconhecimento em sua música e videoclipes.
Ficha Técnica
Inspirado no livro Aqui agora todo mundo
Texto, Dramaturgia e Atuação: Felipe Barros
Direção e Dramaturgia: Heitor Garcia
Assistente de direção: Mayara Dornas
Preparação do Ator: Mayara Dornas e Estrela Strauss
Produção: Jess Rezende
Desenho de Luz: Rodrigo Pivetti
Som: DJ Agatha
Trilha Sonora: Jaloo
Cenografia: Marco Paes
Cenotécnico: Marcio Espirro
Assistente Cenotécnico: Pedro Anthony
Figurino: Heitor Garcia e Felipe Barros
Visagismo: Keyla Issobe
Arte: João Rigoni e Nítido + Felipe Barros + Heitor Garcia + Alexandre Mortagua
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio e Vira Comunicação
Redes Sociais: Pedro Graneiro
Tráfego Pago: Lead Perfomance
Fotos: Kim Leekyung
Produção Executiva: Felipe Barros, Heitor Garcia.
Realização: Malisgüe Produções
Sinopse
Um garoto à beira de um abismo. Curvado sobre o parapeito de sua varanda, ele não salta, mas também não recua. Nesse instante suspenso, sua história explode como um quebra-cabeça lançado ao ar, cujas peças caem em desordem. A partir desse limite entre o fim e a possibilidade de continuar, o espetáculo convida o público a mergulhar na mente de um homem em reconstrução. Entre memórias que surgem fora de ordem, como quem tenta remontar um passado que já não se encaixa, acompanhamos a jornada de uma criança gay sensível que atravessa a vida adulta marcada por afetos intensos, silêncios dolorosos, heranças familiares tortas e a solidão de existir em um corpo dissidente.
Serviço
Aqui, Agora, Todo Mundo
Temporada: 24 de janeiro a 1º de março de 2026 (exceto nos dias 12 a 15/2)*
Aos sábados, domingos e segundas-feiras, às 19h.
*Dias 2, 9 e 23 de fevereiro - Roda de conversa com convidados após o
espetáculo.
Teatro Sérgio Cardoso - R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo
Ingressos: R$ 80 (inteira) R$ 40 (meia-entrada)
Lista Trans Free: envie e-mail para aquiagoratodomundo@gmail.com
Vendas online em Sympla
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos.
Capacidade: 144 lugares
Instagram: @aquiagoratodomundo
Sobre Felipe Barros
Felipe Barros é ator, dramaturgo e produtor com mais de 20 anos de atuação na cena cultural brasileira. Iniciou sua carreira ainda criança e, desde então, construiu uma trajetória marcada por versatilidade artística, profundidade temática e comprometimento com projetos autorais. Formado pelo Núcleo de Artes Cênicas do SESI/SP e pela Universidade Anhembi Morumbi, com experiências relevantes pelo Grupo Gattu – que lhe rendeu indicação ao antigo Prêmio Coca-Cola Femsa, o Theatro Municipal de SP e a produtora Naveia Filmes, o ator se destaca pela capacidade de desenvolver projetos autorais, unindo técnica e emoção em trabalhos que provocam reflexão e empatia. Nos palcos, conquistou reconhecimento em produções como Esse Maldito Fecho-Éclair, indicada a melhor comédia do Prêmio Arcanjo de Cultura 2024, e emocionou o público como Jesus Cristo na ópera Cavalleria Rusticana, no Theatro Municipal de São Paulo. No cinema, atuou em Todos Nós 5 Milhões, disponível no Globoplay, Angela, de Hugo Prata e em RG, vencedor no Festival de Cine de Iquique, no Chile. Também participou das séries Zé do Caixão, Rio Heroes e Ainda 70, consolidando sua presença em diferentes linguagens e formatos. É fundador da Malisgüe Produções, produtora dedicada à criação de obras com impacto social e poético. Sua atuação atravessa teatro, audiovisual e literatura, com foco em narrativas que provocam reflexão, empatia e transformação.
Sobre Heitor Garcia
Heitor Garcia estreia sua primeira direção solo com o espetáculo "Aqui, agora, todo mundo!", após co-dirigir, ao lado de Ricardo Grasson, os consagrados espetáculos “The Boys in the Band – Brasil”, “Irineu”, “Esse Maldito Fecho-Éclair”, “A Mulher da Van” (com Nathalia Timberg) e “Drácula – Um Terror de Comédia” (com Tiago Abravanel). Atuou como assistente de direção nos espetáculos “Somos Tão Jovens” – finalista do Prêmio Aplauso Brasil –, “O Ovo de Ouro” e “O Bem-Amado Musicado”. É fundador da produtora NOSSO Cultural, que já produziu mais de 40 espetáculos.



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